segunda-feira, 25 de julho de 2016

Revisão de História- Crise da Idade Média (Peste Negra, Guerra dos 100 Anos e Formação dos Estados Modernos)

Oi meus amores, tudo bem? Para finalizar Idade Média, trago o último post. A Crise, a Decadência. Está bem completo e se estende até a formação dos Estados Independentes, formação das Monarquias Nacionais. Falta a formação da França, mas trarei quando formos conversar sobre Absolutismo. Espero que gostem e que seja útil. Qualquer dúvida sabem onde me encontrar. Bons estudos e beijão.

Þ    Crise da Idade Média (do Feudalismo)- século XI ao XV.
Com um tempo, àquelas invasões que, antes, eram constantes, acabam tornando-se menos frequentes. Com a diminuição de invasões, consequentemente, diminuição de conflitos, a população começa a crescer consideravelmente.
Com a população muito grande e o fato de terras (feudos) serem herdadas, isto é, passadas de pai para filho, chegou um momento em que não tinha mais terra para dividir com todos. E então, muitos nobres empobreceram e tiveram que sair dos feudos em direção as fortificações que estavam crescendo e tornando-se Burgos. A partir daí, surge o Burguês (pessoa que mora em um Burgo). Posteriormente, o conjunto de burgueses recebe o nome de burguesia. Um burguês, apesar de ser um nobre pobre, não tinha prestígio. Tinha dinheiro, pois, a maioria, tornou-se pequenos comerciantes; mas não tinham prestígio na sociedade.
Como tinha muita gente indo par as cidades (Burgos), ocorreu um processo de Urbanização, consequentemente, um Êxodo Rural.
As cidades estavam crescendo tanto que as pessoas que nelas viviam passaram a pagar impostos. E pelo fato de muitos Burgos ainda pertencerem a feudos, estes, tinham que pagar impostos aos Senhores Feudais.
Alguns Burgos conseguiram a independência, por meio da Carta de Franquia.
O crescimento das cidades faz com que haja novas necessidades e acaba criando uma certa dependência de diversos prestadores de serviços. Surge, então, os artesãos. Que começam a ser bastante solicitados. Um grande artesão recebe o nome de Mestre de Ofício. Os Mestres de Ofícios têm seus Aprendizes e seus Jornaleiros.
Ø  Estratificação social das Cidades (Burgos)- século XIV:
1- Mestre de ofício;
2- Jornaleiros;
3- Aprendizes.
A primeira crise do século XIV é a Fome, mas não é só ela.
v  Peste Negra (Peste Bubônica)- 1347-1352:
Era uma bactéria que se alojava na pulga, que se alojava nos ratos, que ficavam nos fundos dos navios comerciais. Trazida da Ásia, quando chega na Europa, começando pela Itália, começa a destruir grande parte da população. Durou cinco anos e neste tempo, 1/3 da população morreu.
Além dos danos materiais, como as inúmeras mortes; tinham os danos psicológicos. Estava todo mundo muito abalado e a Igreja, que seria a “responsável” por confortar a grande maioria, acabou virando as costas para todo mundo. O povo, então, começou a questionar a Igreja.

v  As Jaqueries:
Além de tudo isso, muitas revoltas começaram a surgir. Principalmente na Inglaterra e na França.
Na França, teve, por exemplo, as Jaqueries. Que eram revoltas camponesas e estavam acontecendo frequentemente.

v  A Guerra dos Cem Anos (1337-1453):
O caos estava instalado. Europeu já tinham enfrentado fome, Peste e revoltas. Só faltava estourar uma Guerra.
Foi uma guerra tão longa que precisou ser divida em 3 fases:
Na 1º fase, a Inglaterra atacou a França porque tinha interesse no Norte Francês e o rei da Inglaterra, Eduardo III, também queria governar a França. Mas, por ser descendente de uma linhagem feminina, não pôde assumir. Insatisfeito, resolveu invadir Flandres. Então, de 1337 até 1360, só ocorriam ataques ingleses. Saturada, a França propôs um acordo: “todas as terras que vocês já dominaram, que é quase metade do território, todas são suas. Mas admita que eu, Felipe IV, da Dinastia de Valois, sou o rei.”  O acordo não deu muito certo.
Até 1360, a Inglaterra atacou muito bem.
Na 2º fase da guerra a poeira abaixou um pouco. Um ou outra vitória francesa e nada mais. Quando chega em 1400, eles decidem dar uma trégua de 20 anos.
E em 1420, inicia-se a 3º fase. A partir daí a França dá a volta por cima. E ainda contam com a ajuda de uma grande heroína: Joana D’arc. A partir de Orleans, ela ajuda vários franceses e conseguem retomar terras. Ela morre queimada.
Em 1453, os franceses conseguem expulsar os ingleses e a guerra termina.
Obs.: O ano do fim da Guerra dos Cem Anos é o mesmo ano do Fim da Idade Média. Associe um fato a outro. (1453).

A Guerra dos Cem Anos, como todas as outras, gera consequências, entre as principais podemos citar:
·         Crise econômica- muito tempo de guerra requer muito investimento, o que acabou quebrando a economia dos participantes;
·         Nobres empobrecidos- naquela época, os próprios nobres que bancavam a guerra;
·         Atraso da Inglaterra e França na Expansão Marítima.

v  Formação dos Estados Modernos (Monarquias Nacionais):
Ø  Península Ibérica:
Era formada por quatro reinos: Leão, Castela, Navarra e Aragão.
A porção Sul da Península tinha sido ocupada pelos “Mouros”- muçulmanos. Os quatro reinos da Península queriam expulsar os Mouros e, na Guerra de Reconquista, Dom Afonso e o Rei Henrique de Borgonha, juntos, os expulsaram.
A primeira Monarquia centralizada a surgir foi a de Portugal.
®    Portugal:
O Rei Afonso I (Rei de Leão) convocou o Rei Henrique de Borgonha para juntos expulsarem os muçulmanos. Henrique de Borgonha o auxiliou e em troca, o Rei Afonso, pela prática de Suserania e Vassalagem, deu a ele o domínio do Condado Portucalense e a mão de sua filha.
Tempos depois, Henrique de Borgonha, casado com a filha de Dom Afonso, tem um filho e dão a ele o nome de Afonso Henriques.
Dom Afonso Henriques, em 1139, rompe o laço de Suserania e Vassalagem, ocasionando a Independência e tornando-se o primeiro rei de Portugal. Ele deu independência pois, passaria a receber impostos que, outrora, era dado aos senhores feudais.
Com a morte de Dom Fernando (último Rei da Dinastia de Borgonha) inicia-se uma luta pelo trono português.
De um lado, a Burguesia pedia a continuidade da Independência, liderados por João, mestre da cidade de Avis. E de outro, a Nobreza, que pedia volta do laço de Suserania e Vassalagem.
João de Avis acabou vencendo, derrubando, assim, a Dinastia de Borgonha e centralizando o poder, em um momento em que ficou conhecido como Revolução de Avis. Pois, ascendeu a Dinastia de Avis.
Tempos depois, o infante Dom Henrique, criou a Escola de Sagres, que apresentou ao povo conhecimentos náuticos. Isso, mais tarde, contribuiu para o pioneirismo português nas grandes navegações.
Resumindo, Portugal tinha diversos fatores que contribuíam para seu pioneirismo nas navegações, entre eles podemos citar:
·         1º Monarquia centralizada;
·         Arrecadação de impostos;
·         Pacifismo interno;
·         Posição geográfica favorável;
·         Dinastia burguesa (Revolução de Avis);
·         Escola de Sagres.

®    Espanha:
Portugal já era uma Monarquia Centralizada.
Mas ainda existiam dois reinos: Castela e Aragão. Que, após o casamento entre Isabel de Castela e Fernando de Aragão, em 1469, fez surgir a Monarquia da Espanha.
Passado algum tempo, em 1492, conseguem expulsar os Mouros que estavam na região de Granada.

®    Inglaterra:
Nas Ilhas Britânicas, em meados do século XI, haviam 4 reinos: Escócia, País de Gales, Irlanda e Bretanha.
Em 1066, Guilherme, o Conquistador invade e conquista a Bretanha (Inglaterra).
Em 1154, um nobre francês, Henrique Plantageneta, parente de Guilherme, herdou a coroa do reino da Inglaterra, passando a chamar-se de Henrique II (1154-1189). A partir daí, centraliza-se o poder na Inglaterra.

o   Ricardo, Coração de Leão (1189-1199):
Sucessor e filho de Henrique II, liderou a 3º Cruzada e lutou na Europa para manter seus domínios nas Ilhas Britânicas.
Por ter passado um tempo ausente, a autoridade real enfraqueceu e os senhores feudais fortaleceram-se.
o   Rei Henrique VII:
Um dos responsáveis pela centralização monárquica na Inglaterra.
A vitória dos Lancaster na Guerra das Duas Rosas garantiu o estabelecimento na Monarquia Inglesa.
o   João Sem-Terra (1199-1216)
Um governo marcado por altos impostos e derrotas em guerras.
Foi obrigado pela nobreza inglesa a assinar a Magna Carta, em 1215. Este documento limitava a autoridade do rei. O rei só poderia criar impostos depois de ouvir o Grande Conselho, formado por bispos, condes e barões.
o   Henrique III (1216-1272)
Filho e sucessor de João Sem-Terra.
Enfrentou oposição popular e da nobreza.
Um nobre, Simon de Montfort, liderou uma revolta aristocrata e para conseguir adesão popular, convocou um Grande Parlamento.
o   Eduardo I (1272-1307)
Oficializou a existência do Parlamento.
Em 1350, o Parlamento foi dividido em duas câmaras:
1-    Câmara dos Lordes- formada por nobres e pelo clero;
2-   Câmara dos Comuns- formada por cavaleiros e burgueses.
¨      A Monarquia:
Na Inglaterra, o rei teve seu poder restringido pela Magna Carta e pelo Parlamento.

Comandada pelo rei, conforme os limites impostos pelo Parlamento, a Inglaterra se tornaria líder dos países mais poderosos da Europa, a partir do século XVI. Até hoje, a Inglaterra é uma Monarquia Parlamentarista. 

Revisão de História- Idade Média- Cruzadas

Oi meus amores, tudo bem? Seguindo a linha cronológica, depois do início da Idade Média, na metade dela, para ser mais precisa, surge um Movimento que ficou conhecido como Cruzadas. Hoje, trago um pouquinho do que sei sobre isso. Lembrando que as Cruzadas ocorreram antes da Crise Medieval. Espero que gostem e que seja útil. Qualquer dúvida sabem onde me encontrar. Beijão e bons estudos.

v  As Cruzadas:
Foi uma expedição de caráter religioso e militar de cristãos contra muçulmanos. Tinha como principal objetivo a reconquista da Terra Santa (Jerusalém, Canaã) e, consequentemente, reaver os fiéis perdidos com o Cisma do Oriente.
Ocorreu em 1096, século XI.

v  Antecedentes:
Os Muçulmanos estavam em um momento de expansão, em contrapartida, à retração dos cristãos. Toda essa retração cristã, junto à intolerância aos muçulmanos, impulsionados pelo Papa Urbano II; em 1095, Urbano II começou a instigar os cristãos a “irem matar Muçulmanos, porque Deus perdoaria”. Um ano antes, 1094, o imperador bizantino, Aleixo I, pediu ajuda ao papa para combater os Muçulmanos. E com um discurso que concebia a indulgência plenária aos que fossem para o Oriente, Urbano II deu início as Cruzadas, pelo o que ficou conhecido como Concílio de Clermont.
A viagem era perigosa, as chances de morte eram grandes e mesmo assim, ‘exércitos’ enormes foram para as Cruzadas. Por quê? 
A principal motivação era o fato do indivíduo ser salvo, conseguir o perdão e então, muita gente aderiu a ideia.

v  As Cruzadas:
·         A 1º Cruzada oficial ocorreu um ano depois do Concílio de Clermont. Ficou conhecida como Cruzada dos Cavaleiros (ou dos Nobres, já que todo cavaleiro era nobre). E tinha como objetivo a conquista de Jerusalém. Depois de três anos, em 1099, conseguem conquistar Jerusalém.
Os cristãos tinham conseguido dominar alguns reinos, quando os Muçulmanos estavam retomando estes reinos, contando com a presença de Saladino, em 1183 ele estava pronto para recuperar Jerusalém e em 1187, ele consegue. Desde então, a Terra Santa não voltou para as mãos dos cristãos, até os dias de hoje.
·         Os cristãos organizam uma terceira Cruzada, conhecida como Cruzada dos Reis. Esta, é convocada pelo Papa Gregório VIII, que convoca três reis:
1-    Frederico Barbarossa (Prússia);
2-   Felipe Augusto (França);
3-   Ricardo, Coração de Leão (Inglaterra- Dinastia Plantageneta).
De todos, Ricardo, Coração de Leão foi o que mais obteve “sucesso”. Conseguiu dominar três reinos, mas não conseguiu dominar Jerusalém.
Com um tempo eles percebem que este objetivo, conquistar Jerusalém, está se tornando muito complicado e acabam “mudando” de objetivo.
·         Surge, então, a 4º cruzada, conhecida como Cruzada Burguesa ou Cruzada dos Comerciantes.
Comerciantes de Gênova e Veneza têm o objetivo de conquistar terras para ampliar seu comércio. E aí o foco é direcionada para Constantinopla, pois era ela a cidade que mais atrapalhava o avanço do comércio de Gênova e Veneza e acabam conseguindo conquistá-la. Com a conquista de Constantinopla, o Mar Mediterrâneo, que, até então, estava fechado para eles torna-se o principal álibi para o avanço do comércio. E é a partir desse momento que a Idade Média começa a ruir.
A 4º Cruzada é, então, a mais efetiva de todas.
®    Obs.: A 4º Cruzada foge da “regra” de ser uma expedição de cristãos x Muçulmanos, pois era de Cristãos Católicos x Cristãos Ortodoxos.

v  Consequências das Cruzadas:
·         Fortalecimento do poder real- arrecadação de impostos, consequentemente, formação de um exército;
·         Fortalecimento da Burguesia- 4º Cruzada (Renascimento Comercial e Urbano) e início do Pacto Rei-Burguesia;
·         Reabertura do comércio no Mediterrâneo- monopólio das cidades italianas (Gênova e Veneza);
·         Contato com a cultura Oriental e Clássica- início do Renascimento Cultural;
·         Derrotas militares.


quarta-feira, 20 de julho de 2016

História para o ENEM. (Como estudar História para o ENEM?)- 2016

Oi meus amores, tudo bem? Desculpa o sumiço.
Bem, estamos a menos de quatro meses para o ENEM, que acontecerá nos dias 4 e 5 de novembro. Então, separei os 10 assuntos mais cobrados no ENEM, na parte de História.
Postarei-os aqui e até o ENEM vocês terão todos os 10 assuntos em mãos. Alguns eu já tinha postado anteriormente, mas eu detalharei mais à diante. Os temas são:
História Geral:
1- Antiguidade Clássica- Grécia e Roma. (Ambas já têm revisão aqui no blog e está bem completo. Roma está fragmentada, a parte de Império está sozinha, mas também tem aqui.) 
2- Idade Média e Feudalismo. (Temos revisão de Idade Média aqui também, só falta Feudalismo que eu postarei em antes de semana que vem.) 
3- Civilizações Pré-Colombianas. 
4- Absolutismo.
5- Revolução Francesa. 
6- Mercantilismo. 

História do Brasil: 
7- Independência do Brasil. 
8- Segundo Reinado (1840-1889).
9- Era Vargas (1930-1954). (Essa revisão também já está aqui e está beeeeeeeem detalhada e completa. Modesta parte, ótima para estudar.) 
10- Ditadura Militar (1964-1985). (Também está aqui no blog e tem também um "50 em 5". Só procurar.) 

Então, gente. Tentarei fazer "50 em 5" de todos os assuntos, porque ajuda muito, principalmente para Vestibular, por trazer consigo palavras-chave, que facilitam a memorização e fixação do assunto e por ser uma revisão pequena de tudo o que foi visto. Mas não é algo que garanto, farei o possível para conseguir. 
Os assunto que eu não escrevi nada ao lado ainda serão postados. Os outros vocês encontram aqui no blog. E quando precisarem tirar aquela dúvida, algum esclarecimento, ou até me ouvir explicando os assuntos entrem em contato pelas minhas redes sociais. 
Facebook: Eduarda Andrade
Instagram: @meduardaandrade_
Email: duudaamaaria@hotmail.com 
#FazTeuNome e vamos fechar História no ENEM. 

Um beijão e vamos para a contagem regressiva, porque está chegando. 

terça-feira, 14 de junho de 2016

Revisão de História- Crise da República Oligárquica

Oi gente! Tudo tranquilo? Como prometido, trago o complemento da postagem sobre a República Velha. Está tudo bem completinho. Peço que deem bastante atenção para este assunto, pois é de suma importância. Qualquer dúvida podem vir falar comigo. Espero que seja útil. Beijão e bons estudos.



               EM EDIÇÃO 
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Revisão de História- Primeira República ou República Velha

Oi gente! Tudo tranquilo? Vamos de História do Brasil? Trago um pouquinho desse assunto que é muito importante e bem legal. Nessa primeira parte iremos ver a consolidação da Primeira República.  Espero que vocês gostem e que ajude. Qualquer dúvida sabem onde me encontrar, estou à disposição. Beijão e bons estudos.

Ø  Brasil na Primeira República
v Instalação da República:
Foram incessantes lutas para se chegar onde se chegou. Foram ideias assassinadas, histórias sufocadas e, não menos importante, gotas de sangue derramadas.
Depois das conturbações do Império, eis que damos os primeiros passos para a conquista republicana.
Não houve indícios que concretizassem que o 15 de novembro seria uma quartelada e não um desfile. Na verdade, alguns militares ali presentes sabiam do que se tratava, contudo achavam que quem estava sendo derrubado era visconde de Ouro Preto, jamais o imperador D. Pedro II e muito menos a monarquia representada por ele.

Mesmo com a indecisão do líder do levante – Marechal Deodoro da Fonseca- , em 1889, começaram a serem escritas as novas páginas do livro que se encarregaria de contar às novas gerações o que havia acontecido dali em diante. Instaurou-se, então, a República no Brasil. 

A República brasileira acabou sendo dividida em duas fases:
  1. República da Espada- período governado por militares, como Marechal Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano Peixoto. Período bastante conturbado.
  2. República Oligárquica ou República Café com leite- período de domínio dos grandes proprietários de terras, cafeicultores. Ficou conhecida como República Café com Leite pois a cadeira da presidência passou a ser revezada entre os Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM). 

Houve de tudo na primeira década republicana. Os dez primeiros anos republicanos foram marcados pelo caos político, econômico e social. A instabilidade generalizada foi ampliada pela eclosão das duas maiores guerras civis da história brasileira.

v  Governo de Deodoro (1889-1891):
Marechal Deodoro assumiu a presidência provisoriamente e indiretamente. Todavia, acabou permanecendo no poder até 1891.
Por meio de uma Assembleia Constituinte, criou a constituição que iria reger as quatro décadas da República Velha: a Constituição de 1891; que previa tais medidas:
·         Federalismo;
·         Sufrágio universal e não secreto- exceto: mulheres, mendigos, padres, militares de baixa patente e analfabetos;
·         Laicização do Estado;
·         Mandato presidencial de quatro anos.  

O poder do Marechal começou a diminuir no mesmo dia em que tomou posse. Em 25 de fevereiro de 1891, o Marechal Floriano Peixoto, rival de Deodoro, foi eleito vice-presidente; o que acabou impossibilitando o então presidente de concretizar suas ideias por completo.

®     O Encilhamento:
O novo presidente brasileiro queria impulsionar a economia e para isso nomeou Rui Barbosa como Ministro da Fazenda.
Rui Barbosa, então, decidiu implantar suas ideias que tinham como objetivo modernizar a economia brasileira, por meio de uma industrialização promovida pelo “crédito fácil”.
Para isso, seria preciso imprimir mais papel moeda, e foi o que ele fez.
O projeto consistia em um crédito cedido pelo Estado para que pessoas, até então físicas, abrissem empresas. Entretanto, a corrupção, já existente na essência do brasileiro, não permitiu que as ideias de Rui Barbosa se tornassem realidade.
Ao invés de abrir empresas, “como mandava o figurino”, as pessoas buscavam o que era rentável: a produção cafeeira; configurando, assim, ‘empresas fantasmas’.
Milhares de empresas foram criadas da noite para o dia. Em menos de um ano, o balão estourou.
Empresas que não funcionam não pagam dívidas. Em um momento, o dinheiro do Estado acabou, e foi aí que o ministro percebeu que as coisas iam mal. O país se afundou em uma grande crise econômica, a moeda acabou sendo desvalorizada e o processo inflacionário tomou conta da economia.
Com o país mergulhado no caos, o ministro se demitiu.
Tempos depois...
Em 3 de novembro, insatisfeito com a aprovação de uma lei que permitiria o impeachment do presidente, Deodoro da Fonseca apoiou-se nos militares que ainda lhe eram fiéis e esboçou uma tentativa de golpe ao Estado, fechando o Congresso e decretando o estado de sítio.
Todo esse reboliço serviu para fazer com que um influente setor, aliado a Floriano Peixoto, se organizasse para combater a tentativa de golpe. E assim, estourou a Primeira Revolta da Armada. 

®     Primeira Revolta da Armada (1891):
No dia 23 de novembro de 1891, o almirante Custódio de Melo ameaçou bombardear o Rio de Janeiro caso Deodoro não renunciasse.
A mobilização da Marinha tinha como objetivo a derrubada do então presidente.
Doente e de cama, Deodoro da Fonseca decidiu renunciar.

v Governo Floriano Peixoto (1891-1894):
Foi considerado o primeira ditador de fato da história brasileira. Estabeleceu um governo excessivamente centralizado e nacionalista, e assim, prejudicou seriamente aqueles que defendiam o Federalismo.
Logo ao tomar o poder, restabeleceu o Congresso, que havia sido fechado por Deodoro, e suspendeu o Estado de Sítio.
Vale ressaltar que seu governo era inconstitucional.
Contudo, com o apoio do PRP e da classe média urbana, Floriano sentiu-se à vontade para “consolidar a República”.
Tornou-se o “Marechal de Ferro”. Queria a reeleição, mas, ainda assim, recusou-se a dar um golpe.
Mas nem tudo saiu como planejado, durante o período que ficou no poder eclodiram duas revoltas:

®   Segunda Revolta da Armada (1893):
A revolta que assombrava e conseguiu depor Deodoro voltou a atormentar a presidência da República.
Esta, eclodiu em 6 de setembro de 1893, quando ele próprio, Custódio de Melo invocou que era preciso “restaurar o Império da Constituição”.
Porém, diferentemente de dois anos anteriores, a revolta sofreu resistência. O Marechal de Ferro retaliou ferozmente todas as ameaças e execuções da Marinha.
Ante toda a resistência, Custódio de Melo deixou grande parte da esquadra sob o comando de Saldanha da Gama e invadiu a cidade catarinense de Desterro.
Ali, aliou-se aos “maragatos”.
A revolta terminou em 1894, quando os insurretos foram derrotados na Batalha da Armação e desistiram da luta.
- Vitória de Floriano Peixoto.
Mas os estrondos de tiros e bombas não cessavam aí. Ainda em 1893, no Sul, iniciava-se uma das mais desastrosas e sangrentas guerra civil que o país poderia ter.

®   Revolução Federalista (1893):
A Revolução Federalista foi um conflito de caráter político, ocorrido no Rio Grande do Sul, que desencadeou uma revolta armada.
Federalistas (Partido Liberal, PL), conhecidos como “maragatos”, que tinham ideais contra Júlio de Castilhos, eram liderados por Gaspar Silveira Martins; lutavam contra Republicanos (Partido Republicano Rio-Grandense, PRR), conhecidos como “pica-paus”, que apoiavam Júlio, contavam também com o apoio de Floriano e do Exército.
Em 25 de janeiro de 1893, Júlio de Castilhos assumia a presidência do Rio Grande do Sul.
E, 2 de fevereiro, a guerra civil eclodiu.
Insatisfeitos com a posse de Castilhos, os Federalistas pegaram em armas para derrubar seu governo.
Silveira Martins, já envelhecido, mostrou omisso e vacilante durante todo o conflito. Sua tática era a guerrilha. Em setembro de 1893, os rebeldes ganharam forças por conta da eclosão da Revolta da Armada – ambos os movimentos nada tinham a ver, a não ser o ódio ao “jacobinismo florianista”.
Em julho de 1894, a guerra acabou. Os republicanos venceram, consequentemente, Floriano também.
O ano de 1894 era o último para a desastrosa e conturbada “República da Espada”.
O governo nacionalista, de apoio à indústria e à classe média urbana logo desagradaria à “República dos Fazendeiros”, isso levou as elites civis ao consenso de que era preciso afastar os militares da política e retomar o controle do país.

v República Oligárquica:
Inicia-se, então, a Política do Café com Leite; que foi a troca sucessiva de presidentes dos partidos Paulista e Mineiro.
Essa nova forma de se governar trazia consigo uma pesada forma de manipular e alienar as grandes massas, o povo; o que ficou conhecido como Máquina Oligárquica.

®  Máquina Oligárquica:
A Máquina Oligárquica era uma forma explícita de manipulação e o pior, era constitucional.
De acordo com a Constituição de 1891, o voto era aberto, isso gerava uma série de problemáticas que serviam, apenas, para manter uma mesma classe no poder. 
Por meio dele se fazia o “voto de cabresto”, uma forma de obrigar um grande número de pessoas a votar em um determinado candidato. Esse “voto” ocorria em detrimento do Coronelismo, que era o poder dos chefes políticos locais, donos de terras. Os coronéis, nitidamente, influenciavam nas eleições, contribuindo, então, para a formação dos currais eleitorais. Essas práticas caracterizam um círculo vicioso, uma vez que sempre se manteria no poder quem fosse apoiado pelo coronel, consolidando a oligarquia latifundiária.
Além disso, a Política dos Governadores também contribuíam para a consolidação desse monopólio, pois o Governo Estadual beneficiava o Governo Federal de modo que ambos não intervissem no funcionamento um do outro.
Em 15 de novembro de 1894, assume Prudente de Morais, que representou o retorno da classe latifundiária.
Porém, um tanto quanto distante da cidade, estoura a guerra mais trágica da história do Brasil.

®  Guerra de Canudos (1896-1898)
·         O Líder: Antônio Conselheiro
·         Ameaça ao poder das elites: Conselheiro tinha prestígio e poder que ameaçava padres e coronéis. O Movimento foi considerado uma ameaça à República, à Igreja e aos Latifundiários, pois ele criticava o casamento civil e a separação entre a Igreja e o Estado.
A abolição da escravatura se deu sem planejamento algum, portanto, os ex-escravos não tinham oportunidade de melhorar de vida. Ou viviam nas cidades, sujeitos a todas as explorações promovidas pela Máquina Oligárquica, ou partiam para o campo.
Neste período, um beato e messiânico, erguia sob um sol escaldante, o Arraial de Belo Monte, onde havia apenas arbustos espinhosos da caatinga. Embora parecesse uma favela, era um aglomerado impressionante. A maioria dos habitantes eram sertanejos indigentes.
“No solo miserável do Sertão, Conselheiro encontrara terreno fértil para a sua pregação messiânica. A decadência dos engenhos, o fim da escravidão, a seca terrível de 1878, a limitação do mercado de trabalho: tudo conduzira ao caos social no Nordeste.”.
Em Canudos se vivia em uma espécie de “comunismo primitivo”, o que se tornava quase impossível em meio a todas as subordinações do Estado.
O Arraial de Belo Monte começou a ser mal visto pelos homens poderosos da Bahia, pois muitos dos trabalhadores dos latifúndios passaram a viver em Canudos, ameaçando a economia.
Estopim de um confronto que durou um ano, mobilizou todo o exército nacional e causou morte de 20 mil pessoas.
O então presidente ordenou ao Exército que enviassem tropas para acabar com a “Meca dos desvalidos”. Contudo, quatro expedições foram enviadas e retornaram para a capital sem sucesso.
Porém, saturado com toda a situação, Prudente de Morais, não mediu esforços para derrubar aquela sociedade alternativa que tanto atrapalhava seus interesses.
E eis que em meados de agosto de 1897, Canudos começou a ser derrubada, e não muito tarde não iria sobrar mais nada. O Arraial foi arrasado. E como Euclides da Cunha belamente escreveu, tudo o que restou de Canudos foi: “Um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam 5 mil soldados.”. 

v  Campos Sales e a Política dos Governadores:
Foi eleito presidente em 1898, mais eficiente que seu antecessor,  Campos Sales conseguiu consolidar plenamente a "República dos Fazendeiros". Tomou o poder quando a economia brasileira já não ia bem. O Brasil produzia muito mais café do que os outros países podiam comprar, ou seja, os preços caíam.
Para conquistar o apoio dos coronéis e das oligarquias estaduais, ele criou a Política dos Governadores; assim o presidente garantia o apoio ao grupo dominante em cada estado e os estados garantiam uma eleição dos candidatos oficiais ao Congresso.
Mais eficiente que seu antecessor,  Campos Sales conseguiu consolidar plenamente a "República dos Fazendeiros". 

Decidido a resolver a situação econômica, Campos Sales foi à Europa na tentativa de estabelecer conversações com os bancos credores e tentar negociar uma saída para a dívida em que o Brasil se afundava. Em 1898, acabou conseguindo um alto empréstimo e a garantia de que o Brasil só precisaria pagar a dívida externa após o cumprimento de um prazo de folga inicial - esse acordo ficou conhecido como acordo de Fouding Loan.
Mas, para isso, o Governo brasileiro teria de se comprometer a inflação e retirar grande parte do papel-moeda que sustentava a desvalorização da moeda nacional. 
Após o primeiro Funding Loan, muitos bancos nacionais faliram e a posição dos estrangeiros ficou mais forte. 

Para controlar a inflação, o Ministro da Fazenda criou novos impostos, que acabaram pesando demais no bolso da população, e a falta de dinheiro fez o comércio estagnar. 
Uma onda de greves, protestos e falências ocorreu durante o chamado "Pânico de 1900". 


Campos Sales sai do poder com baixíssima popularidade.

v  Rodrigues Alves e a Revolta da Vacina:
O paulista Rodrigues Alves foi eleito por meio voto direto, em 1902. Porém, uma vez no poder, revelou-se mais conservador do que propriamente um republicano. 
Nesse momento, o país vivia relativa estabilidade econômica, pela exploração intensa da borracha.
O foco se tornou urbanizar e modernizar os grandes centros e a Capital Federal, que no alvorecer do século XX, sofriam com o excesso populacional e a epidemia de doenças. Além do fato de que, urbanizado, o Rio de Janeiro atrairia mais imigrantes - braços para o café . O então prefeito Pereira Passos e o sanitarista Oswaldo Cruz conduziram as reformas. Para construir grandes avenidas eles desapropriaram cortiços e expulsaram a população para os morros da cidade. 
Unindo forças, partiram da teoria para a prática.
Com um empréstimo de oito milhões de libras tomado na Inglaterra e com uma equipe afinada com seus objetivos, Rodrigues Alves deflagrou a grande revolução urbana.
As campanhas de vacinação obrigatória são a “gota d’água” fazer a revolta eclodir.  
Brigadas sanitárias passaram a entrar em todas as casas da cidade, acompanhadas da polícia para vacinar os moradores à força.
Em 1903, estoura a primeira greve geral dos operários da indústria têxtil, reivindicando melhorias para todos os trabalhadores. No mesmo ano, Rodrigues Alves assina o Tratado de Petrópolis com a Bolívia e anexa o Acre ao Brasil.
Em 14 de novembro de 1904, a Escola Militar da Praia Vermelha decidiu “unir-se” ao povo e aderir ao levante. Ficou evidente que a Campanha de Vacinação era apenas um pretexto para a eclosão de um movimento político-social. A carestia, a inflação, o achatamento salarial, o aumento dos aluguéis – tudo isso provocava uma insatisfação generalizada entre as classes média e baixa.
Contando com o apoio dos chamados ‘Jacobinos’ e tendo certeza que obteriam o apoio do restante da população, os cadetes da Escola Militar, saíram às ruas dispostos a tomar o Catete. Mas o Governo reagiu com rispidez e dureza.
No dia 16 de novembro, Rodrigues Alves solicitou, e o Congresso aprovou, a decretação do estado de sítio.
Em 1906, contrariado, ele assinou o Convênio de Taubaté, que obrigava o Governo Federal a comprar os excedentes da produção de café para manter os preços.

No mesmo ano, após ter submetido a população mais carente à humilhações e violência, ele deixa o poder. 

v O Governo de Afonso Pena (1906-1909):
Depois de três paulistas revezarem a Presidência da República, o mineiro Afonso Pena é eleito em 1906. Sua administração é voltada para os interesses nacionais, tentando fugir dos privilégios do eixo Minas-São-Paulo, que dominava a economia da época.
Para ele “Governar é Povoar”, e foi pensando nisso que ele decidiu estimular a imigração e criou uma grande rede ferroviária no Sudeste.
O café não era a sua única preocupação: promoveu a criação de parques industriais, incentivou a criação de linhas férreas, modernizou os portos de Recife, Vitória e Rio Grande do Sul. Promoveu a conquista do Oeste, a cargo de Marechal Rondon.
O presidente mantém a valorização do café, seguindo o Convênio do Taubaté.
Já doente, solitário e isolado, morreu em junho de 1909, um ano e meio antes do fim de seu mandato.

v Governo de Hermes da Fonseca (1910-1914):
Após duas décadas do regime republicano, o país vivera a sua primeira campanha eleitoral de verdade.
Com a aproximação das eleições, iniciou-se uma disputa acirrada entre Rui Barbosa - de perfil intelectual e liberal, que contava com o apoio de cariocas, baianos e paulistas- e Hermes da Fonseca - que tinha apoio de mineiros, gaúchos e militares.
A estratégia de Rui Barbosa era conter os militares e desenvolver o país mantendo as liberdades do povo. A classe média urbana aguardava transformações sociais e políticas, mas setores mais conservadores, rurais e militaristas ainda predominavam no cenário político.
A marca de Hermes da Fonseca era a centralização do poder e o controle das liberdades do povo.
Para apoiar a candidatura de Rui Barbosa, surge a Campanha Civilista.
Ainda assim, o Marechal Hermes assume o poder, em 1910. Hermes iniciou a chamada “Política das Salvações nacionais”. O Governo teve de enfrentar duas terríveis revoltas: a da Chibata e a do Contestado. Venceu as duas, mas se enfraqueceu politicamente.

Ø Revolta da Chibata(1910):
Logo na primeira semana de governo, estoura a Revolta da Chibata, na Bahia de Guanabara, liderada pelo marinheiro João Cândido.
Foi um movimento que eclodiu dentro da Marinha brasileira em protesto contra os castigos corporais a que eram submetidos os marinheiros.
Era evidente que tais penalidades tinham caráter racista, pois somente negros eram submetido a tais punições.
O encouraçado liderado pelo Almirante Negro ameaçou bombardear o Rio de Janeiro, caso as chibatas não fossem retiradas.
Também pediam por melhorias na alimentação e nas condições do ambiente de trabalho.
O presidente e seus assessores concordaram com as exigências dos rebeldes e prometeram anistiá-los.
No dia 25 de novembro, os amotinados arriaram as bandeiras vermelhas que sinalizavam sua rebelião e o episódio parecia encerrado. Três dias depois, porém, o decreto presidencial permitiu ao ministro da Marinha expulsar da corporação os principais envolvidos no movimento.
O líder do movimento foi preso, assim como outros integrantes da revolta.

Ø Guerra do Contestado (1911):
Foi um conflito armado entre o exército e os camponeses da região do sudoeste do Paraná e noroeste de Santa Catarina.  
Foi liderado pelo líder messiânico José Maria e teve como principal causa a disputa pela posse de terra.

O levante logo foi reprimido pelo Governo.